Devocional

Daniel 10 a 12 – Não há o que temer

Ao concluir a leitura do livro de Daniel temos um saldo de: três histórias de fidelidade ao Senhor, deixando claro que não existe um contexto perfeito e ideal para sermos fiéis a Deus. Uma oração que revela muito sobre um caráter íntegro e a importância de viver uma vida de dependência e oração. E por fim, quatro visões apocalípticas. Essa última visão é consideravelmente maior, durando três capítulos e mais detalhada que as outras e por isso requer uma atenção maior.

Acontecimentos

No capítulo 10, Daniel declara estar chorando há algumas semanas, ao dizer que está sem se ungir ele revela que recolheu-se para ter um tempo de oração e jejum. Tudo leva a crer que Daniel se encontra abatido por causa do povo de Deus. A essa altura alguns judeus já haviam voltado para Jerusalém, mas muitos acabaram gostando da Babilônia e escolheram ficar. Os que voltaram encontraram forte oposição e não estavam vivendo o proposito de Deus. No vigésimo quarto dia, um homem vestido de linho aparece enquanto Daniel estava a margem do rio Tigre com outros homens, que por não entenderem do que se tratava ficam com medo e fogem. Alguns estudiosos acreditam que esse homem seria Jesus Cristo, devido a semelhança com a descrição de Apocalipse 1.13-17. Outros defendem que não é possível aplicar isso a Cristo por conta do verso 13, em que esse mesmo homem diz: “mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias. Porém Miguel, um dos príncipes mais importantes, veio me ajudar”. Jesus é Deus onipotente, ou seja Todo Poderoso, sendo assim nenhuma criatura seria capaz de “resisti-lo” a ponto dEle ter que pedir reforços de um arcanjo. Ainda sobre esse verso, é bem possível que tenhamos aqui um relato de uma batalha no âmbito espiritual, Deus ouve Daniel no primeiro dia, mas o anjo só chega com a resposta no dia 24 por conta dessa resistência do “rei da Pérsia” que nesse caso seria uma figura maligna no campo espiritual.

Então vamos analisar o que se segue na perspectiva de que esse homem é um anjo que traz consigo glória e resplendor do próprio Deus. Daniel fica completamente sem forças ao se deparar com essa visão, ele cai com o rosto em terra em um profundo quebrantamento. Recebe um primeiro toque de conforto e consolo: “Não tenha medo”. Esse toque era para colocá-lo de pé. Ele não precisava temer porque ele era muito amado (v.11), suas orações haviam sido ouvidas desde o primeiro momento (v.12) e agora seriam respondidas (v. 14). Essa visão era algo tão sobrenatural que Daniel se cala e perde suas forças e assim, recebe mais dois toques, um para falar (v.16 e 17) e um para ser fortalecido (v.18 e 19).

O capítulo 11 é uma continuação do que o anjo veio revelar a Daniel. Deus está contando a história antes dela acontecer. Mais uma vez temos basicamente a mesma sequência de reinos dos capítulos 2, 7 e 8. Nos versos 1 e 2 vemos quatro reis persas: Cambises; Guamata; Dario; sendo o quarto rei Xerxes, que tentou conquistar a Grécia em 480 a.C. Nos versos 3 e 4 vemos a ascensão de Alexandre, o Grande. Do verso 5 ao verso 20, temos o Reino do Norte (representando a Síria) e o Reino do Sul (o Egito). Agora vamos identificar cada um por seu próprio nome. Primeiro o rei do Sul, Ptolomeu II, afim de formar uma aliança com o rei do Norte, Antíoco II (ainda não é protótipo do anticristo do cap. 8), oferece sua filha, Berenice, em casamento. O rei, deixa sua esposa para aceitar a oferta.

Porém quando o rei do Egito morre, Antíoco resolve voltar para sua ex-esposa, ela aceita, mas se vinga: assassinando Berenice e envenenando o seu Antíoco e o filho dele com Berenice (acontecimentos dos versos 5 e 6). O irmão de Berenice assume o reino e o Egito derrota a Síria para se vingar (v. 7-12). Passados alguns anos o Egito é derrotado pela Síria, surge um líder chamado Antíoco III Magno. Mais alguns anos se passam e surge um novo impasse entre os dois reinos e dessa vez, o rei da Síria é quem quer fazer uma aliança, oferecendo sua filha Cleópatra I em casamento a Ptolomeu V, a intenção dele era traição e não paz. Mas isso não acontece porque Cleópatra permanece fiel a seu marido e ao povo (v. 13-20). Referente aos versos 21 a 35, temos o sucessor de Antíoco III Magno, assumindo o governo e mandando um emissário à Jerusalém afim de roubar os tesouros do templo. Os historiadores afirmam que ele não segue as ordens do rei, e o rei é morto. E é nesse momento que aparece o irmão mais novo do rei, Antíoco Epifânio, já falamos sobre ele no capítulo 8, ele persegue o povo de Deus, mas acaba adoecendo e morrendo. Até aqui essa revelação ainda se cumpriria para a época de Daniel, contudo para nós já se cumpriu.

Os versos 35 a 45 já não se aplicam mais ao Antíoco, e sim a um rei satânico, o anticristo, esse assunto também já foi abordado anteriormente no capítulo 7. O verso 41 traz “Edom, Moabe e Amom” como representantes simbólicos dos inimigos do povo de Deus que irão se aliar ao anticristo. No verso 45 Daniel é informado que virá uma derrota sobre esse rei e não haverá ninguém para socorrê-lo. Fim do capítulo 11, mas não da revelação.

Por fim, o capítulo 12 traz sinais para nos nortear a respeito dos “últimos tempos” que será marcado por angustia e sofrimento nunca vistos antes (v.1). Quando chegar ao ápice do sofrimento e parecer que o mundo está vencendo a batalha, Deus virá e livrará a Igreja (paralelo à Apocalipse 14) e temos no verso 2 a descrição da ressurreição dos salvos para a vida eterna e dos perdidos para a condenação eterna. O verso 3 diz que sábios permanecerão firmes ensinando o povo mesmo em meio a perseguição.

“Quanto a você, Daniel, encerre as palavras e sele o livro, até o tempo do fim […] o saber se multiplicará” (v.4), era costume na Pérsia quando um livro terminava de ser escrito e concluído, ele era selado, era feito uma cópia e ela era colocada na biblioteca para uso público. Do verso 5 ao 13 temos uma dúvida: “quando se cumprirá estás maravilhas?”. A resposta: “Um tempo, dois tempos e metade de um tempo”. E aqui eu vou usar as palavras do próprio Daniel para explicar: “eu ouvi, mas não entendi” (v.8). A melhor resposta que achei sobre o significado de “tempo” foi a de Calvino, um longo período. O verso 10 nos mostra que a perseguição não será capaz de destruir a Igreja de Cristo, ao contrário “os purificará”. A respeito dos versos 11 e 12, não é possível saber o que significam, e esse também não deve ser o nosso objetivo, apenas “siga o seu caminho até o fim. Você descansará e, ao fim dos dias, se levantará para receber sua herança” (v.13).

Aplicações

O livro de Daniel dá esperança para todas as futuras gerações do povo de Deus, a esse respeito o Pr Hernandes Dias Lopes declara que “o livro de Daniel está aberto como farol para a história da humanidade, tanto é que o Senho Jesus Cristo evoca a profecia de Daniel” (em Mateus 24). Apesar do livro não falar sobre as quedas e os pecados de Daniel, sabemos que ele era tão humano e falho quanto nós. Então, por que ele teve sonhos e visões? Mais uma vez vou usar as palavras do professor Paulo Paiva “porque a Bíblia não estava toda revelada, Daniel era um profeta de Deus”.

A profecia não tem como objetivo expor quando as coisas vão acontecer e seus mínimos detalhes. Seu propósito é revelar que, independente do que está por vir, Deus está no controle. Ele é o Senhor da história, e ela caminha para o seu fim. O tempo mais perverso, desumano e cruel está por vir, mas o povo de Deus não precisa temer Não há mais mistérios a ser revelado, existe a promessa e a certeza de um futuro. Um futuro em que Cristo condenará o anticristo, resgatará seu povo e trará seu Reino Eterno sobre todas as nações.

O ponto é: quando o dia chegar, e ele chegará, seremos achados entre o povo santo, prontos a reinar ao lado do nosso Senhor, ou seremos apóstatas perdidos à espera da condenação e da vergonha eterna?

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é condenado; mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3.16-18 – grifo do autor).

Não há nada que possa ser feito depois da morte. O estudo de Daniel traz uma mensagem de esperança que deve motivar a fidelidade. Em Cristo há esperança, permaneça fiel!!!

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, darei o direito de sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com o meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 3.20-22)

JG
(Gostaria de agradecer especialmente ao professor Paulo Paiva, que esclareceu minhas dúvidas ao longo desse estudo, que o Senhor continue te usando!)

6 comentários em “Daniel 10 a 12 – Não há o que temer”

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