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Daniel 9 – Vida de oração

Conforme vimos no texto anterior, a partir do capítulo 7 são abordadas as visões, sonhos e interpretações apocalípticas. No capítulo 9 temos uma grande lição e um exemplo a ser seguido a partir da oração de Daniel.

Acontecimentos

Essa oração acontece no primeiro ano do reinado de Dario, Daniel deveria ter cerca de 82 anos, e o povo já estava exilado há 68 anos. Ele estava lendo os escritos de Jeremias, e deve ser de deparado com esse trecho:

Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos: Visto que vocês não escutaram as minhas palavras, eis que mandarei buscar todas as tribos do Norte, diz o Senhor, e também Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, e os trarei contra esta terra, contra os seus moradores e contra todas estas nações ao redor, e os destruirei totalmente. Farei deles um objeto de horror e de vaias, ruínas perpétuas. […] Toda esta terra virá a ser uma ruína, objeto de horror, e estas nações servirão o rei da Babilônia durante setenta anos” (Jeremias 25.8-11 – grifo do autor). Aqui Daniel entende que faltam apenas 2 anos para se cumprir o prazo. Mais adiante na leitura de Jeremias encontra-se também essa passagem encorajadora: “Assim diz o Senhor: Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vocês e cumprirei a promessa que fiz a vocês, trazendo-os de volta a este lugar.Eu é que sei que pensamentos tenho a respeito de vocês, diz o Senhor. São pensamentos de paz e não de mal, para dar-lhes um futuro e uma esperança. Então vocês me invocarão, se aproximarão de mim em oração, e eu os ouvirei. Vocês me buscarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração. Serei achado por vocês, diz o Senhor, e farei com que mude a sorte de vocês. Eu os congregarei de todas as nações e de todos os lugares para onde os dispersei, diz o Senhor, e trarei vocês de volta ao lugar de onde os mandei para o exílio” (Jeremias 29.10-14 – grifo do autor).

Daniel então se prepara para agir (v.3): volta o seu rosto para o Senhor, em uma busca intensa. Se apresenta com um clamor fervoroso, súplicas e em jejum, que demonstra uma certa urgência em receber de Deus uma resposta, então alimentar seu próprio corpo deixa de ser uma prioridade. O fato de estar vestido de pano de saco e sentado em cinzas revela um profundo quebrantamento (tristeza, arrependimento e humilhação). E ora.

A oração de Daniel é bem estruturada, ele começa adorando a Deus e exaltando a fidelidade do Senhor em guardar a aliança com o povo (v.4); depois temos um momento de contrição, de arrependimento, em que Daniel confessa pecados específicos (v. 5-6). Essa confissão é coletiva, ele não aponta o pecado do povo, ele se inclui no pecado também (v. 7-8). Ele tem perfeita consciência da justiça de Deus (v. 7, 11 e 14), o Senhor havia avisado o que aconteceria, o povo não obedeceu, e o castigo veio. Do verso 11 ao 13 Daniel reconhece que o povo deixou de ouvir a voz do Senhor e não há arrependimento, seus corações estavam endurecidos e ingratos, uma vez que Deus já os havia livrado no passado (v. 15). E só então, do verso 16 ao 19, ele apresenta o seu pedido: “Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, afasta a tua ira e o teu furor”. Ele queria que o povo pudesse voltar para sua terra.

A resposta de sua oração vem enquanto ele ainda está orando, o anjo Gabriel aparece para dar a Daniel “inteligência e discernimento” pois a resposta acontecerá através de uma visão (v. 20-27). E aqui temos a revelação do Messias prometido, chamado de Ungido e Príncipe. Os versos trazem as obras do Messias: trazer solução definitiva para o pecado; trazer justiça eterna ao povo, e cumprir a profecia e a visão a seu respeito. A visão se refere então ao nascimento de Jesus (v.25), sua morte (v. 26) e sua segunda vinda, no dia do triunfo trazendo destruição para o assolador (final no verso 27).

Aplicações

Daniel era um homem de oração e viveu as diversas fases da vida debaixo da dependência do Senhor. Sua integridade permanece inabalável, em nenhum momento vemos Daniel negociar suas crenças, valores ou negar Deus. Ele não se deixou ser pressionado pelos perigos e riscos e tão pouco foi seduzido pelas conquistas e prosperidade. É interessante notar que apesar de ter o dom de interpretar sonhos e visões, Daniel não abre mão de estudar a Palavra. Mesmo sendo um homem ocupado, ele tinha segundo lugar no governo, ele sempre dispunha de tempo para orar e ler as Escrituras. Se você afirma que não tem tempo para orar e ler a Bíblia, certamente Deus não é a prioridade para você.

Quando o anjo vai até Daniel, ele faz questão de deixar claro que está ali “porque Deus o ama muito” (v. 23 – “o ama” faz menção a Daniel). Daniel era conhecido no céu, isso revela muito sobre o tipo de relacionamento que ele tinha com Deus e o tipo de vida que levava. Uma vida focada no Reino do Senhor e que não buscava os próprios interesses, ele sabia como pedir. “Nada têm, porque não pedem; pedem e não recebem, porque pedem mal, para esbanjarem em seus prazeres” (Tiago 4.2-3). Daniel nos dá um grande exemplo de que nossa oração deve ser bíblica. Uma oração bíblica é uma oração teocêntrica. Não é errado colocar o nosso coração na oração, mas precisamos nos lembrar que a tendência dele nos enganar é grande, por isso Deus precisa ser o centro, para que não corramos o risco de nossas orações não serem ouvidas. Nitidamente vemos a preocupação de Daniel em sua oração, mas a todo momento ele faz questão de lembrar dos feitos do Senhor, e de que sua oração será atendida pelas misericórdias de Deus e não por suas próprias obras.

Em Mateus 26 a partir do verso 36, temos o relato de quando Jesus foi até o Getsêmani e se colocou em oração. E ali, pouco tempo antes de sua condenação, com sua alma profundamente triste e angustiada, Jesus faz a mesma oração por três vezes: “Meu Pai, se não é possível que este cálice passe de mim sem que eu o beba, faça-se a tua vontade” (v.42). Nessa oração Cristo mostra sua angustia, ele abre seu coração, mas deixa claro que acima disso o que realmente importava era a vontade de Deus.

A vontade de Deus era derramar toda a sua ira “para acabar com a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos” (Daniel 9.24). E assim Ele fez, entregando seu próprio Filho para morrer em nosso lugar, para perdoar nossos pecados. Através de seu sacrifício na cruz, Jesus fez ser possível nosso acesso ao Pai, a nossa fé nEle como Senhor e Salvador nos faz conhecidos no céu. Que possamos aproveitar nosso livre acesso para orar e buscar intensamente o Reino de Deus.

A Palavra de Deus quando lida deve nos desafiar a uma intensa vida de oração que coloca nosso coração submisso a vontade dEle, e que nos leva a intimidade com o Senhor.

JG

LINK DOS DEVOCIONAIS
Daniel 1 e 2 – Influencer
Daniel 3 – Prontos para morrer
Daniel 4 e 5 – Atente-se ao alerta
Daniel 6 – Um chamado a resistência
Daniel 7 e 8 – Xeque-mate
Daniel 9 – Vida de oração
Daniel 10 a 12 – Não há o que temer

6 comentários em “Daniel 9 – Vida de oração”

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