A Vida do Siga-me

Daniel 4 e 5 – Atente-se ao alerta

Durante a leitura dos capítulos anteriores é interessante notar a forma como o rei Nabucodonosor sempre acaba reconhecendo o Deus de Daniel e seus amigos como um Deus bem poderoso entre outros deuses (isso porque como vimos, o rei era politeísta). Mas logo em seguida o vemos caindo novamente na soberba em achar que ele merece ser exaltado. Nos capítulos 4 e 5 temos um “mesmo” alerta, porém com respostas divergentes.

Acontecimentos

O capítulo 4 é um depoimento do próprio rei Nabucodonosor sobre o acontecimento mais importante de sua vida. Nessa época a Babilônia era um império inabalável e inconquistável , era a maior e mais esplêndida cidade do mundo. Tudo ia muito bem até que um sonho o deixa extremamente preocupado. Ele manda chamar os magos, e diferentemente do capítulo 2, dessa vez conta como foi o seu sonho. Uma grande árvore no meio da terra, muito alta e forte. Com folhas bonitas e muitos frutos, nela havia sustento para todos (comida, proteção e descanso)

Até que do céu veio um decreto para que a grande árvore tivesse seus ramos cortados, suas folhas arrancadas, seus frutos espalhados, que dela sobrasse apenas o toco e as raízes. E que esse fosse amarrado com correntes e molhado pelo orvalho. Nenhum dos sábios foi capaz de significar o sonho, então o rei chama Daniel, que mais uma vez revela que o sonho na verdade é um alerta do Senhor. A árvore representava o rei, provendo o necessário para o povo. O decreto é enviado pelo próprio Deus. O que acontece com a árvore é o rei perdendo toda sua autoridade, majestade, e até mesmo sua sanidade. Sendo tirado do meio dos viventes (humanos) e levado a viver como um animal irracional. Daniel termina sua interpretação dando um conselho ao rei: “abandone os seus pecados, praticando a justiça, e acabe com as suas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres; assim talvez a sua tranquilidade se prolongue” (v.27).

A soberba do rei era tamanha que alguns arqueólogos afirmam que em muitos tijolos da Babilônia encontra-se o nome de Nabucodonosor, o que reforça ainda mais a ideia de que ele considerava ter o domínio absoluto sobre o reino. Passados 12 meses do sonho, Nabucodonosor completamente cego pelo poder, estava se exaltando enquanto passeava pelo terraço do palácio, quando uma voz do céu anuncia o cumprimento do sonho. Ele imediatamente perde seu reino, é expulso do meio das pessoas, passa a comer capim e se transforma em uma fera. Passam-se 7 tempos (não se sabe ao certo se semanas, meses ou anos) e Nabucodonosor olha para os céus, glorifica e reconhece que Deus tem o domínio sobre tudo, ele tem sua sanidade recuperada juntamente com todo seu poder e reino. Então, finalmente declara Deus como Rei.

No capítulo 5 , aproximadamente 64 anos após o relato do capítulo 4, temos como rei Belsazar, descrito em algumas versões como filho de Nabucodonosor, mas na verdade era seu sucessor, provavelmente o neto dele. Belsazar se encontra dando uma grande festa, com muitos convidados e muita bebida. Em determinado ponto, manda que busquem os utensílios que seu pai havia pegado no templo em Jerusalém, e os usa para beber vinho e louvar outros deuses. Esse ato é considerado como um ato de zombaria e blasfêmia ao Senhor. Eis que dedos de uma mão surgem e escreve algo na parede. O rei é tomado por um medo paralisante, por não entender como aquilo era possível e por não conseguir identificar o que estava escrito. Ele pede que os magos venham e promete uma recompensa a quem conseguir traduzir. Mais um vez, nenhum dos sábios é capaz de ajudar.

Dos versos 10 a 12, temos a rainha-mãe enaltecendo e testemunhando sobre Daniel e o que ele havia feito enquanto Nabucodonosor era rei. Daniel, que tem agora por volta de 80 anos, é chamado, Belsazar reforça seu testemunho mais uma vez e oferece a recompensa para que ele traduza os escritos. Daniel se recusa a aceitar a recompensa, mas concorda em dizer o significado das palavras. Todavia, antes de o fazer, relembra o rei sobre como Deus havia dado a Nabucodonosor toda glória e majestade, mas que o coração do rei havia se orgulhado demais e por isso ele foi despojado de tudo até que “reconheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre os reinos do mundo e os dá a quem ele quer” (v.21 b). Daniel expõem que o rei Belsazar também havia tido várias chances para reconhecer Deus, mas as deixara passar. Então revela: “MENE, MENE, TEQUEL PARSIM” (“Deus contou os dias do seu reinado, ó rei, e pôs um fim nele. O seu reino foi pesado na balança e achado em falta. O seu reino foi dividido em dois e entregue aos persas e aos medos” v. 26 (medos = povo do Império Medo). Naquela mesma noite o rei é morto. E começa o reinado de Dario.

Aplicações

Esses dois capítulos retratam reis extremamente soberbos e orgulhosos, e mostram que os seres humanos, feitos a imagem de Deus, tem poder para governar sobre a terra, desde que o façam em nome do próprio Deus. Uma vez que os reinos humanos se esquecem disso, acabam se rebelando contra Deus, se tornam criaturas irracionais e violentas que certamente enfrentarão a Sua justiça. Contudo, o Senhor não derrama a sua ira e seu juízo sem antes chamar ao arrependimento.

A voz do Senhor é muita clara e seu propósito pode ser visto nitidamente: “reconheça que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos do mundo e os dá a quem ele quer” (capítulo 4, versos 17, 15 e 32; capítulo 5, verso 21). A grande diferença entre as duas histórias é que Nabucodonosor ao “olhar para o céu” tem seus olhos abertos, glorifica a Deus (v.34), confessa a soberania de Deus (v.35), testemunha sobre sua restauração (v. 36) e adora o Deus da sua vida (v. 37). Nabucodonosor após ter um relance do que seria a trombeta do juízo, se rende a voz da graça.

Por outro lado seu sucessor Belsazar, teve a vida toda para se arrepender, pois tinha diante dos próprios olhos o testemunho de sua família. Ao invés disso, enquanto se preocupava em festejar, adorar outros deuses e fazer mal uso daquilo que era sagrado ao Senhor, não foi capaz de perceber que o exército medo-persa comandado por Dario, naquela mesma noite, estava mudando o curso do rio Eufrates (que alimentava os fossos que cercavam a grande muralha da Babilônia) e atravessando pelo leito seco, afim de invadir as muralhas da cidade e subir ao trono. Belsazar morre sem estar preparado para encontrar-se com Deus, o Altíssimo. Espero que quando nosso reino for pesado, não sejamos encontrados em falta com o Senhor.

O propósito de Deus não é levar o homem a morte, é levá-lo a vida e vida em abundância. A voz da graça segue seu chamado em Cristo, o autor da nossa salvação, Ele é o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por Ele (João 14.6). Não espere até ter sua sanidade perdida, não espere que os dedos escrevam na parede. Volte-se para Cristo em arrependimento e fé, uma vez que Ele morreu a sua morte. Reconheça hoje quem tem o domínio da sua vida, se arrependa dos seus pecados e não deixe que o orgulho embace a sua visão e entregue-se a Cristo, pois ele já se entregou por você na cruz.

A soberania de Deus na salvação individual mostra que não há coração duro demais que o Senhor não possa converter.

JG

LINK DOS DEVOCIONAIS
Daniel 1 e 2 – Influencer
Daniel 3 – Prontos para morrer
Daniel 4 e 5 – Atente-se ao alerta
Daniel 6 – Um chamado a resistência
Daniel 7 e 8 – Xeque-mate
Daniel 9 – Vida de oração
Daniel 10 a 12 – Não há o que temer

6 comentários em “Daniel 4 e 5 – Atente-se ao alerta”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s