A Vida do Siga-me

Entre no quarto – ODQ

26 de março, 2020

Hoje é o décimo dia de isolamento. De alguma forma, a rotina tem a habilidade de transformar tudo em urgência e preocupação, por estar sempre pensando no que fazer, como produzir mais e melhor, como organizar as coisas para encaixar no tempo que tenho. Agora, porém, o silêncio é ensurdecedor, me sinto desarmada e exposta sempre que entro nesse quarto. Parece que a armadura de alguém que tem tudo sob controle desaparece ao cruzar a porta. Quão ameaçador pode ser um cômodo? Não há nada aqui.

A questão é interna. Durante essa quarentena meu coração tem se revelado sem máscaras, sem politicamente correto ou socialmente aceito; apenas quem ele é. Encarar essa realidade é desesperador, pois percebo que sou incapaz de lidar com ela. Após muito relutar, olho para dentro e vejo que algo está fora do lugar. Eu sigo esperando algo das pessoas. Por que insisto nisso? A expectativa é um fardo muito pesado para colocar no ombro de qualquer pessoa. Acaso não sei que as pessoas falham? Certamente que sim! As pessoas não são obrigadas a agir da forma como eu quero, ou a me falar aquilo que irá acariciar meu ego e meu orgulho. Por que sigo buscando em meros mortais o que eles não podem me dar?!

Incoerência é o que resta para um coração que se esconde do Senhor, pois conhecê-Lo é o princípio da sensatez (Provérbios 1:7). Mas, pela graça, sou lembrada da verdade. Uma verdade libertadora. Por mais que as pessoas atinjam minhas expectativas, ou ainda que eu tenha algo que afague meu ego, nada disso jamais será o suficiente.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus?” (Salmo 42.2)

Depender dessa verdade e saciar a minha sede no lugar certo é um processo que exige esforço, envolve encarar aquilo que eu mais quero esconder: meu coração que se acha autossuficiente. A liberdade vem quando eu deixo Cristo entrar e transformar o que precisa ser transformado, quando lembro que o maior gesto de amor já foi feito na cruz – é aqui onde devo depositar todas as minhas expectativas. Eu tenho liberdade e paz quando me lembro da verdade de quem Ele é e ao me debruçar em seu colo e falar desses temores mais tolos, Ele se preocupa. Quando paro de olhar para dentro e olho para Cristo, o Seu amor faz calar todo medo e Sua paz reina no meu coração desesperado. E é quando estou no silêncio desse cômodo, completamente sem máscara ou armadura, totalmente vulnerável que eu posso sussurrar:

Por que está assim, minh’alma? Espera em Deus, pois ainda O louvarei, meu auxílio e Deus meu (Salmos 42:5b).

BG
(Bianca faz parte da nossa equipe agora, conheça mais sobre ela aqui)

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