“O que é verdade para você talvez não seja para mim!” Essa é apenas uma das frases que demonstra a “sabedoria humana” e você provavelmente já ouviu ou leu algo semelhante a ela, certo? Com certeza já, isso porque vivemos em uma era que cada um tem seu conceito de verdade. O que era para ser absoluto acabou se tornando relativo, e dessa maneira temos um mundo com uma moral completamente corrompida. C. S. Lewis em seu livro A Abolição do Homem fala sobre isso, ele chama a moral/verdade absoluta de TAO, que segundo ele ” é o conceito de valores objetivos, verdades morais imutáveis e eternas das quais não se pode escapar”. Dessa forma, podemos aceitá-lo por completo; aceitar uma parte e rejeitar uma outra parte ou rejeitá-lo inteiramente – o que Lewis mostra ser impossível: “As rebeldias das novas ideologias contra o Tao é a rebeldia dos galhos contra a árvore: se os rebeldes pudessem vencer, descobririam que destruíram a si próprios”.

E mais uma vez, Tiago entra em ação, como se já pudesse ver o que estaríamos vivendo hoje. Seguindo pelo capítulo três, após falar sobre como devemos ter domínio sobre a nossa língua (leia aqui), ele disserta sobre os dois tipos de sabedoria.

A sabedoria do mundo vs. A sabedoria do alto

Tiago nos mostra que as duas sabedorias geram frutos distintos entre si, e sobre a sabedoria do mundo (humana) ele afirma “é terrena, animal e demoníaca” (v.15). Isso porque a sabedoria humana é completamente egoísta e egocêntrica, ou seja, ela é voltada para si mesmo. Busca satisfazer seus próprios desejos e nos faz acreditar que somos o que há de mais importante na terra. Tiago introduz esse assunto com uma pergunta: “Quem entre vocês é sábio e inteligente?” (v.13a), e então eu imagino todos nós levantando a mão, até porque o Senhor nos fez à imagem e semelhança dEle, logo, não somos seres burros (ainda que as vezes a gente faça umas burrices). E então o autor continua: “Mostre as suas obras em mansidão de sabedoria, mediante a sua boa conduta. Se, pelo contrário, vocês têm em seu coração inveja amargurada e sentimento de rivalidade, não se gloriem disso, nem mintam contra a verdade. Pois, onde há inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (v. 13b-16).

Nada de bom resulta de quando tentamos justificar nossa inveja, também não há bom resultado quando somos motivados a proteger ou focar em nós mesmos à custa dos outros. Não existe segurança e nem paz quando todos estão primeiramente ocupados com seus próprios interesses. Não existe humildade nesse tipo de sabedoria, não existe o amor ao próximo, apenas a exaltação do próprio “eu”.

“Mas a sabedoria lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, gentil, amigável, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento” (v.17).
– Pura: “Toda palavra de Deus é pura. Ele é escudo para os que nele confiam” (Pv. 30.5).
– Pacífica: “porque Deus não é Deus de confusão, e sim de paz” (1 Co.14.33).
– Gentil e Amigável:
” — Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei.Tomem sobre vocês o meu jugo e prendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma” (Mt 11.28-29).
– Cheia de misericórdia e bons frutos:
“então o Senhor, o Deus de vocês, não os abandonará, porque é Deus misericordioso” (Dt 4.31).
– Imparcial e Sincera: “Ele é a Rocha, as suas obras são perfeitas, e todos os seus caminhos são justos. É Deus fiel, que não comete erros; justo e reto ele é” (Dt 32.4).

E essa, meus queridos, é a sabedoria que Deus concede generosamente para os que pedem, conforme vimos no capítulo um de Tiago (leia aqui). Uma sabedoria que resulta em glória para Deus e boas ações para os outros, voltada para fora e não para dentro. Não existe sabedoria longe de Deus, existem apenas tentativas frustradas de criar uma verdade que se encaixe e nos permita viver para realizar nossos desejos. “Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte” (Tg 1.14-15). A sabedoria que vem do alto é o que nos faz viver a Verdade absoluta. Jesus é a medida, Ele é o padrão, Ele é a verdade, o caminho e a própria vida.

A sabedoria clama em voz alta nas ruas, ergue a voz nas praças públicas;
nas esquinas das ruas barulhentas ela clama, nas portas da cidade faz o seu discurso: “Até quando vocês, inexperientes, irão contentar-se com a sua inexperiência? Vocês, zombadores, até quando terão prazer na zombaria? E vocês, tolos, até quando desprezarão o conhecimento?”
Provérbios 1.20-22

JG