“O mundo morria sem Cristo e ele estava morrendo com Cristo, com a verdade do Evangelho ardendo dentro do seu peito, porém sem fazer absolutamente nada a respeito daqueles que ainda não o conheciam”. Essa é uma frase de um dos meus livros preferidos, escrito por um grande amigo Marcus França. “Um de nós” conta a história do jovem, Aaron, que percebe que apenas conhecer Cristo não estava sendo suficiente, essa percepção se torna um divisor de águas em sua vida. E então, Aaron se recusa a “fechar os olhos para a realidade à sua volta” essa decisão muda completa e radicalmente sua vida em todas as áreas. Ele passa de apenas conhecer o Evangelho, para realmente viver o Evangelho custe o que custar. E através de sua vida outras almas começam a conhecer Jesus.

Em determinados momentos de nossas vidas, acabamos caindo numa tremenda zona de conforto, em que conhecemos Cristo, somos salvos, mas simplesmente guardamos Ele só para nós. E assim, nós vivemos uma vida focada em alcançar nossos próprios objetivos, definidos por nós mesmos. E talvez essa seja uma das maiores artimanhas do maligno para evitar a propagação do Evangelho.Uma vez que somos salvos é fato ONDE iremos passar nossa eternidade, mas COMO temos passado nossa eternidade é definido agora. Isso me fez lembrar uma pregação do pastor Douglas Gonçalves sobre a Primeira carta aos Coríntios, capítulo 3 versos de 1-15:

“Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como sábio construtor, e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. E, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um se tornará manifesta, pois o Dia a demonstrará. Porque será revelada pelo fogo, e o fogo provará qual é a obra de cada um. Se aquilo que alguém edificou sobre o fundamento permanecer, esse receberá recompensa. Se a obra de alguém se queimar, esse sofrerá dano. Porém ele mesmo será salvo, mas como que através do fogo” (grifo do autor).

Fica claro que o fundamento, a base, o alicerce é Jesus Cristo crucificado e ressurreto. Contudo, Paulo nos adverte a prestarmos atenção no que temos construído sobre o fundamento, pois a qualidade da nossa construção, do nosso trabalho será testada pelo próprio Deus. O mais importante e o que sustenta a nossa vida é Jesus Cristo, é a salvação; e isso é graça. O que construímos nesse alicerce são obras. E o texto mostra que existem apenas dois tipos de obras:
– madeira, feno e palha , que estão relacionadas ao homem, passageiro, fraco, que estraga e apodrece;
– ouro, prata e pedras preciosas, algo divino, que dura, brilha e não é consumido pelo fogo.
Se nossa construção passar pelo fogo e queimar significa que tudo o que fizemos, nossas obras foram egoístas e focadas apenas no reino do eu. Contudo se a construção permanecer, mostra que fizemos algo para a glória do Reino.

No fim, a pergunta que permanece e devemos nos fazer todos os dias é:

Para quem eu tenho construído?

Deus sabe exatamente se eu tenho construido com madeira ou pedras preciosas, não tem como enganá-Lo. Talvez seja a hora de parar de tentar se enganar, colocar o “eu” de lado e deixar Deus usar sua vida. O alvo da nossa construção, das nossas ações deve ser sempre buscar a glória de Deus (1 Coríntios 10.31). Se eu busco satisfazer meus desejos, alcançar meus próprios objetivos, ou me dar bem na minha carreira e guardo Jesus numa caixa, certamente tenho construido com madeira. Se eu deixo de falar da cruz para a atendente do McDonald’s (ou de qualquer outro estabelecimento), se eu deixo de falar de Jesus para meus amigos, família ou colegas de trabalho por medo do que irão pensar de mim, ou simplesmente porque “eu não quero incomodar”, estou construindo com feno. Se os dias estão passando sem que os meus vizinhos, ou as pessoas que eu conheço saibam que Jesus morreu por eles também, minha construção é feita de palha. Se a minha vida não tem sido para fazer a diferença e proclamar o Reino, custe o que custar, minha construção vai queimar!

Assim como Aaron entendeu e viveu (ainda que no mundo fictício de “Um de nós”) Gálatas 2.20 que diz: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Eu oro para que no mundo real a gente também entenda e viva o Evangelho da salvação!

“Ele o apertou com toda a força que tinha e enfiou seu rosto nas vestes brancas do Rei. E chorando lágrimas de pura alegria como nunca havia chorado antes, disse em meio aos soluços:
– Eu tentei Pai. Eu tentei viver como uma canção.
[…] Então o Rei lhe respondeu:
– Está tudo bem, meu filho, você está em casa agora”
(trecho do livro Um de nós, Marcus França)

JG

(Se você se interessou pela história de Aaron, eu o aconselho comprar o livro e ler essa incrível aventura na integra. Clica aqui!)