“Você é linda” não é o que elas precisam ouvir. Elogio não é a intravenosa que irá curá-las, talvez seja um anestésico, mas jamais será a salvação para elas. Mulheres jovens e adultas, criadas à imagem e semelhança de um Deus amoroso, mulheres lindas em sua essência tem perdido de vista o que realmente importa. O problema da “baixo autoestima” é muito mais sério e profundo do que apenas se ver de maneira inferior e talvez, esse tema precisa ser abordado em mais de um texto.

Comecemos pois, com o diagnóstico da baixa autoestima e suas consequências. É interessante notar que ela não ocorre apenas no quesito aparência, muitas vezes o sentimento de inferioridade encontra-se diretamente ligado com talentos, habilidades, características sociais, e tudo o que envolve o “eu”. Pessoas com baixo autoestima olham para si mesmas e muitas vezes só são capazes de enxergar um produto que veio com defeitos e por isso, não tem valor algum. Dessa forma só conseguem perceber suas falhas e ao olhar ao redor têm a impressão de que os outros são “melhores”, mais bonitos, interessantes, habilidosos e que possuem mais valor. Pode-se dizer então que o problema está na maneira como a pessoa olha para ela mesma. É a busca desenfreada por aceitação. E ouvir elogios e coisas boas a respeito dela mesma não é o que irá ajudá-la, pois essas palavras são vãs e se vão com o vento. O nosso valor não está naquilo que somos capazes de fazer ou no quão bela somos.

Consequências da baixa autoestima

  • Nos faz perder o alvo de vista. A Bíblia diz que fomos criados para honrar e glorificar a Deus (Isaías 43.7). Quando passamos tempo demais preocupados em sermos bons o bastante ou em tentar nos igualar ao fulano, deixamos de focar no que realmente importa: o Reino de Deus! E assim, o chamado que Deus te fez acaba perdendo o valor;
  • Viver na dependência da aprovação dos outros. Esperando que os outros nos aceitem, elogiem ou reconheçam;
  • Ser tomado por uma profunda tristeza e insatisfação que podem levar a um quadro de depressão. Essa tristeza também nos impossibilita de testemunhar o que Cristo fez na cruz e de nos alegrar na salvação;
  • Inveja, ao nos comparar com os demais nos faz querer ser o que são, e ter o que os outros têm;
  • Viver de forma medíocre/ acomodada. “Já que eu não sou boa, não preciso me esforçar”.

Já se sabe o que é a baixa autoestima e suas consequências, vamos agora aprofundar nosso conhecimento, talvez na parte que mais te incomodará e te fará querer fechar essa página: a causa. O mundo, a mídia, os psicólogos e estudiosos afirmam que a raiz é a falta de amor próprio, que a baixa autoestima é consequência de traumas, abusos, bullying e é até mesmo a justificativa para outros pecado. E nos é garantido que ela pode ser curada com a autoestima. A esse respeito Tim Keller defende que a “teoria do mau comportamento como resultado da baixa autoestima é muito atraente. Não é necessário fazer nenhum julgamento moral para lidar com os problemas da sociedade. Basta animar as pessoas e ajudá-las a se desenvolver”.

Não se assuste com que está prestes a ler mas, a maior causa da baixa autoestima é o amor próprio. Baixa autoestima na verdade é uma elevada apreciação de si mesmo disfarçada, que surge quando não se recebe um estímulo externo. A pessoa se martiriza porque os outros não a percebem, ou não enxergam aquilo que ela gostaria sobre ela mesma. O cristão e escritor Dave Hunt afirma que “O simples fato de não gostarmos de nossa aparência, ou lamentarmos alguma incapacidade, ou ficarmos irritados quando pessoas ou circunstâncias nos tratam mal é a prova de que nos amamos e estimamos, pois se não nos estimássemos não daríamos importância a tais situações, e se nos odiássemos ficaríamos alegres quando as coisas fossem mal para nós”.

Nos faz deixar de lado o Deus a quem pertencemos e ao invés disso nos preocupamos com o que os outros vão achar sobre nós ou o que pensamos sobre nós mesmos. O apóstolo Paulo é um exemplo de quem não se deixava vencer pela baixo autoestima. Em 1 Coríntios 4.1-4 ele escreve: ” Portanto, que todos nos considerem servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. O que se requer desses encarregados é que sejam fiéis. Pouco me importa ser julgado por vocês ou por qualquer tribunal humano; de fato, nem eu julgo a mim mesmo. Embora em nada minha consciência me acuse, nem por isso justifico a mim mesmo; o Senhor é quem me julga.”

Vamos dividir a fala de Paulo em 2 aspectos:

  1. Não se importa com o que os outros julgam. Paulo literalmente está falando que não vai gastar o tempo dele se preocupando com o que os outros pensam dele. Por que? Porque Paulo sabia que a identidade não estava ligada à apreciação das pessoas por ele, mas estava firmada em Deus: “servos de Cristo” (v.1).
  2. Não se auto julga. Isso não significa que Paulo se considera perfeito e sem culpa, muito pelo contrário ele sabia muito bem quem ele era: “o pior dos pecadores” (1 Timóteo 1.15). Mas ele havia entendido que a identidade dele não estava ligada aos pecados dele.

A baixa autoestima é uma mentira contada por satanás para nos afastar de quem realmente somos, nos afastar do motivo pelo qual fomos criadas. A baixa autoestima é um pecado e está sendo suavizado e vitimizado pela sociedade em que vivemos, está se enraizando nos corações. Não se desespere, saber que é um pecado é uma “boa notícia”. Porque Deus preza pela razão de ter nos criado, Ele se importa com os pecadores. Ele tanto amou o mundo que enviou seu único Filho para morrer no nosso lugar (João 3.16). Mandar Jesus para nos salvar nunca foi um plano B, Jesus sempre foi o motivo de todas as coisas (Colossenses 3). O mundo afirma que para vencer a baixo autoestima de uma vez por todas você precisa se amar, achar seu valor e se apegar a isso com todas suas forças. Será que essa é realmente a cura? Há uma esperança para seu coração ferido, há uma esperança para seu reflexo distorcido.


Continua no próximo texto.
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JG