Gostaria de falar sobre um tipo de amor que pode mudar radicalmente sua vida, um tipo de amor que vai te fazer ver o mundo de uma maneira diferente, vai mudar a forma como você trata os outros, enfim vai mudar sua vida. É claro que eu só poderia estar escrevendo sobre o amor próprio. Esse mandamento está cada vez mais presente em cada música nova lançada ou série/filmes postados na Netflix. Um tipo de amor que te coloca em primeiro lugar sempre, que quando você tiver que fazer uma escolha você será a própria escolha, ainda que para isso outros tenham que sofrer ou serem humilhados. Afinal, o que realmente importa é que você se ama, e precisa fazer de tudo para que você seja feliz e viva a vida que você merece. Então vai, não fique com medo se ame mais, mostre para as pessoas o seu valor! Esse discurso seria lindo e motivador se ele não fosse falho em suas próprias premissas.

O amor próprio (o “eu” em primeiro lugar) assume como verdade que eu tenho um valor diferente dos outros, que eu mereço mais do que os outros. Não adiante usar o versículo de Mateus 10.31 que diz “vocês valem mais do que muitos pardais”, porque esse verso está dentro de um contexto maior, em que Jesus encoraja seus seguidores a não terem medo de o seguirem publicamente, porque se Deus cuida até dos pássaros como não cuidaria dos seres humanos criados a imagem e semelhança do próprio Deus?! Ainda dentro do tópico “meu valor” é importante ressaltar que não temos valor algum que não seja a cruz. É apenas no sacrifício de Cristo que o nosso valor é achado, não em algo que nós fazemos porque somos bons, mas em algo que Deus fez porque Ele é santo, justo e bom.

Como está escrito: “Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer […], Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça” (Romanos 3.10-12 e 21-25a)

Um perito na lei certa vez, na tentativa frustrada de armar contra Jesus, o perguntou: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? ” – Ao qual Jesus respondeu – “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (Mateus 22.36-37).  Me colocar em primeiro lugar é injusto, fere a essência do maior mandamento. Deus é o único que deve ser colocado em primeiro lugar no meu coração e na minha vida. Nada do que eu faça se compara ao que Deus fez e a quem Deus é. A Bíblia ainda me assegura que é impossível que eu sirva a dois senhores ao mesmo tempo, porque eu amarei a um e odiarei a outro (Mateus 6.24), Deus é o único que pode ser o Senhor do meu ser.

Quando Jesus respondeu o perito na lei, Ele não parou no primeiro mandamento, mas já deixou logo claro que existe um segundo mandamento: “E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’” (Mateus 22:39).  O foco do segundo mandamento não está em “amar a si mesmo”, mas em amar o outro. Usar “a si mesmo” acredito ter sido uma forma didática de dizer que da mesma forma como queremos que as pessoas nos tratem com amor, assim devemos tratá-las.  Ou seja, amar o próximo na plenitude do amor, tal plenitude pode facilmente ser vista no sacrifício de Jesus, o próprio Cristo nos ensina isso quando nos encoraja a amar como Ele nos amou (João 13.34). Como foi esse amor? Bom, Ele se entregou para morrer em nosso lugar (Romanos 8.9). Um amor sacrificial, um amor que é uma escolha e não apenas um sentimento.

 Quando Jesus foi questionado sobre quem seria o próximo, respondeu em forma de parábola. Contando a história de um homem que descia de Jerusalém para Jericó, quando foi pego por assaltantes que além de roubarem, o espancaram e o deixaram caído no meio do caminho. Passam por ele um sacerdote e um levita que quando o viram simplesmente o ignoraram. Então Jesus cita um samaritano o único que ajudou o homem, cuidou de suas feridas e o levou para que continuassem tratando dele. Pausa para um contexto histórico:  existem diversas razões históricas para o ódio que reinava entre os judeus e os samaritanos, inclusive alguns motivos podem ser encontrados na Bíblia. O povo samaritano foi completamente resistente à reconstrução do templo em Jerusalém, após o retorno da Babilônia, os samaritanos também são considerados “povo estúpido”, entre outras brigas que duraram cerca de mil anos. Sendo assim, Jesus usou o exemplo certo ainda que radical, contudo nos faz entender que o “próximo” é aquele que precisa ser amado, precisa de ajuda. O samaritano viu que o homem precisava de um gesto de amor, e não se importou se eram inimigos históricos, ele fez o que Jesus nos manda fazer. Dica: todas as pessoas ao seu redor precisam que você leve um pouco do amor de Deus para a vida delas, sejam elas crentes em Jesus ou não.

Sendo assim, o mundo não precisa de mais pessoas que “amem a si mesmas”, nitidamente ele já está cheio disso. O mundo precisa de cristãos que amem a Deus acima de todas as coisas, que neguem a si mesmos e por consequência amem ao próximo, um amor que não está ligado a sentimentos e sim a escolha de amar e de se sacrificar pelo outro. Sacrificar o tempo: mandando mensagem, ligando saindo para tomar um café; sacrificar a vontade de ter as coisas do seu jeito; sacrificar o ego, deixando de lado suas mágoas e decidindo abraçar quem precisa; sacrificar o egoísmo afim de apresentar um Deus que salva e ama. Devemos amar porque Ele nos amou primeiro (1 João 4.19).  E ainda sobre o amor: O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece” (1 Coríntios 13:4-8a).

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos seus amigos”

João 15.13

JG