Há alguns anos se você me perguntasse se eu me considerava uma pessoa orgulhosa, certamente eu te diria que não. Eu poderia te listar “todos” os meus pecados e você não acharia menção ao pecado do orgulho. Mas Deus é um ótimo arquiteto e a obra que Ele começa em nossas vidas não fica embargada. Com o tempo, através de estudos, pregações e exortações afim de ter um caráter moldado, o Senhor fez meus olhos se abrirem para o que já era questão de senso comum: o orgulho é a raiz de todos os pecados. Talvez você não concorde com essa afirmação, mas, de qualquer forma, você não pode negar que o orgulho é pecado, e tendo esse ponto em comum acordo já podemos continuar a falar sobre isso.

Na obra “A divina comédia” Dante alega que os orgulhosos se encontram no ponto mais distante de Deus. Quando pesquisamos pelo significado da palavra orgulho podemos achar a seguinte definição: alguém que tem um conceito exagerado de si mesmo; soberba. Alguns teólogos defendem que quando a Bíblia fala sobre soberba está em um contexto de se achar superior a Deus,enquanto o orgulho refere ao se achar superior a outros homens. A questão é quer seja contra Deus ou contra homens é pecado!  E de Gênesis a Apocalipse é possível encontrar exortações sobre a soberba. Como por exemplo em Provérbios capítulo 16, verso 18 “O orgulho [soberba] vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda”. Soberba é a posição em que o ser humano se coloca ao se achar mais do que de fato ele é, é a completa falta de submissão a Deus e a tentativa frustrada de ser como Deus.

Essa é basicamente a proposta que satanás faz aos homens desde que foi expulso dos céus, e o pecado que o fez ser expulso. Gênesis capítulo 3, versos 4 e 5: “Disse a serpente à mulher: Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal”. Anos depois, Deus estava abençoando o reinado de Davi dando vitórias sob os outros exércitos, mas Davi começou a se achar invencível e achar que a glória estava no exército e não no Deus do exército. Foi nesse momento que satanás tentou Davi com o pecado da soberba, as decisões de Davi não agradaram a Deus e todo o povo de Israel foi punido por conta disso (1 Crônicas 21.1-7). No novo testamento, Paulo ao discorrer sobre as características de um bispo, traz a exortação “Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o diabo” (1 Timóteo 3.6).

Sabemos, pelo que lemos na Bíblia, que quando era um anjo do Senhor, o diabo era um dos mais importantes e belos anjos, cheio de sabedoria também e isso nos leva a crer que ao olhar para a criação e ver algo tão belo, seus olhos se inflaram de orgulho, acreditando que ele mesmo merecia a glória por ser quem era. Isaías 14. 12-14 “Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Você que dizia no seu coração: “Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembleia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo”. Esse é um texto poético, que pode estar falando do rei da Babilônia – que se achava superior a Deus – mas também sobre satanás (vide verso 12 “estrela brilhante da manhã” traduzido para o latim = Lúcifer).  Assim como o texto de Ezequiel 28. 12-19 que não é, em primeira instância, sobre o rei de Tiro. A soberba de satanás o tirou da presença de Deus e apesar de satanás ser mal, isso não significa que Deus criou o mal, o mal é apenas a oposição e a ausência de Deus (o que é uma ótima pauta para um outro texto).

Hoje quando eu olho para minha vida, eu percebo que o orgulho é a raiz, ou o tronco (pecado central) que gera galhos (pecados consequência), não me refiro aqui a grau de pecado, simplesmente me refiro a um pecado que gera mais pecados. O orgulho se manifesta diariamente em nós, seja na empolgação de ganhar curtidas em uma foto ou postagem, queremos status; nos elogios recebidos por um trabalho bem feito; ao acharmos que somos melhores e sabemos mais que os outros; ao pensarmos que “se fosse EU, as coisas não teriam acontecido assim”; ao exigirmos direitos, reconhecimentos e atenção; ao esquecer que viemos do pó e almejar ser aclamados como criadores; ao ter o nosso ego acariciado e inflado por ideologias antropocêntricas.

É interessante e triste notar que o orgulho (assim como a gula) é o pecado que os crentes não costumam assumir. Tiago capítulo 4, verso 6 diz que “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”. Enquanto a soberba me faz querer ser Deus, a humildade me aproxima de Deus exatamente por me fazer ver quem eu sou e quem Deus é, e entender que eu não posso ser nada longe e fora de Deus, a humildade me leva ao arrependimento. Só existe uma maneira de vencer o orgulho e é se prostrando humildemente aos pés da Cruz.

Como diria a música, o orgulho nos tirou do jardim, mas a humildade de Cristo colocou o próprio jardim em nós.

JG

#ParaRefletir

Ao comparar nosso orgulho a santidade de Deus percebemos que nossa soberba é algo detestável e abominável, o pastor Paul Tautges em seu texto “That hideous pride: 26 ugly faces”, lista algumas formas como o orgulho pode se apresentar em nossas vidas:

  1. Agir independentemente de Deus, o que se constitui na raiz de todos os outros pecados (Gn 3.6 ; Ez 28.2 ; Sl 10.4 ; Ob 1.3)
  2. Insubordinação às estruturas de autoridade humana (1Pe 2.13, 18; 5.5)
  3. Autossuficiência (1Sm 2.3 , Ap 3.16-18)
  4. Ausência de oração (1Sm 12.23 ; 2Co 12.7-8 )
  5. Busca de destaque, disputa de posição (Mc 10.37 ; 1Jo 2.16)
  6. Contendas, lutas (Fp 4.2; Tg 4.1-3, 10)
  7. Lábios mentirosos e maldizentes (Sl 31.18, 59.12)
  8. Comportamento violento (Sl 73.6 , Is 13.11)
  9. Um espírito vaidoso e altivo (Pv 30.13 ; Fp 2.3)
  10. Dar tapinhas nas próprias costas, roubando a glória para si (Dn 4.28-30)
  11. Exaltar a si mesmo (Jr 48.29, Rm 11.17,18)
  12. Desejar ou se regozijar com a queda de outros (Sl 140.5)
  13. Ser arrogante com relação ao futuro (Is 16.6; Tg 4.16)
  14. Determinar a importância de uma pessoa com base na aparência (2Co 5.12)
  15. Louvar a si mesmo ou solicitar sutilmente que outros o louvem (Pv 27.2)
  16. Insolência, zombaria, (Pv 21.24; Jr 48.29)
  17. Falta de preocupação com os necessitados (Ez 16.49)
  18. Servir a si mesmo em primeiro lugar (Fp 2.3)
  19. Colocar a confiança e o coração nas riquezas  (2Cr 32.24-31; Ez 28.5; 1Tm 6.17; 1Jo 2.16)
  20. Falta de amor (1Co 13.4)
  21. Espírito crítico implacável, não disposto a perdoar  (Mt 7.1-5; 18.21-35)
  22. Conhecimento bíblico sem o amor bíblico (1Co 8.1)
  23. Recusa em aplicar disciplina aos membros da igreja (1Co 5.2)
  24. Inversão de papéis no casamento: os maridos que não lideram de forma amorosa e esposas que não se submetem de forma respeitosa (Ef 5.21)
  25. Resistência obstinada à confissão de pecados e insubmissão à disciplina divina (Sl 32.3-4; Hb 12.5, 11)
  26. Adultério espiritual, ou seja, mundanismo (Tg 4.4-10)