Há algum tempo recebi uma mensagem de uma grande amiga em que ela dizia não suportar mais os seus próprios pensamentos e até mesmo tampou seus ouvidos, numa tentativa frustrada de não ouvir mais nenhum deles. Como Deus não faz nada por acaso, no mesmo dia eu tinha passado por uma manhã tão turbulenta que meu cérebro quase me deixou na mão, sem saber onde era mesmo que eu morava. Depois de uns segundos em total silêncio, achei o rumo para casa, coloquei meus fones de ouvido e durante o caminho pedi que o Senhor me ajudasse a lidar com a inquietação da minha mente. E foi assim, ouvindo “Twenty One Pilots” e caminhando para casa que o Espírito Santo me trouxe alguns ensinamentos à luz das Escrituras.

Primeiro é preciso entender que Deus se importa com os meus pensamentos como vemos em Provérbios 4.23 “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida”. Ao longo da Bíblia é muito comum vermos a palavra “coração” para se referir a parte mais importante do nosso corpo, isso porque antigamente acreditava-se que as emoções, a razão e os pensamentos se originavam do coração. Sendo assim, principalmente no antigo testamento, a palavra coração de refere ao ser interior; mente; vontade; inteligência; conhecimento; razão; lugar dos desejos entre outros. No evangelho de Marcos, capítulo 7, versos 20 e 21a, Jesus diz aos discípulos “O que sai do homem é o que o torna impuro. Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos”. Fica claro que a nossa mente, aquilo que achamos, o que pensamos é o que vai (na maioria das vezes) dirigir as nossas ações.

“Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hebreus 4.14-16). Jesus é o grande sumo sacerdote, ou seja, Ele é quem entra na presença do Pai e intercede por nós, foi isso que Ele fez na cruz, e através disso temos ainda mais fé. É como se estivéssemos em um pequeno barco no meio de uma grande tempestade e Jesus vem e nos dá uma âncora (a fé). E para manter o nosso barquinho flutuando precisamos jogar essa âncora no mar, confiando que ela vai ajudar o barco a se manter firme. Também vemos que Jesus passou por todo tipo de tentação, então provavelmente, Ele também foi tentado com os pensamentos, a diferença é que isso nunca o influenciou a pecar. E por fim, à medida que nos aproximamos de Cristo e sua graça encontraremos ajuda para os momentos difíceis.

Como devemos lutar contra nossos pensamentos? Levando-os até a cruz, levando-os até o trono do Pai. “Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo. E estaremos prontos para punir todo ato de desobediência, uma vez completa a obediência de vocês” (2 Coríntios 10.3-6). É preciso confessar cada pensamento, seja ele errado ou pensamentos que te roubem a paz e ao filtrá-los com aquilo que o Senhor pensa, percebemos que os nossos não são pensamentos verdadeiro e corretos. E então nos resta levá-los cativos a Deus, e a palavra “cativo” só me lembra uma coisa: escravo. Amarrar os pensamentos, levar até Deus e dizer “Não vou sair da sua presença até que os meus pensamentos se tornem agradáveis a Ti, até que eu tenha os mesmos pensamentos que o Senhor”. Devo dizer, que essa é uma guerra, em que teremos que lutar constantemente, não é algo de um dia, é uma escolha diária. É preciso travar uma guerra contra nossos pensamentos.

Dessa maneira, temos um grande sumo sacerdote que entende o que estamos passando, que concede fé e graça para que nos acheguemos a Deus afim de apresentarmos nossos pensamentos cativos. E eis que Deus nos responde: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2). Só existe uma maneira de renovar a mente: “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filipenses 4.8).

Talvez você nunca tenha parado para analisar, mas os pecados que você comete, na verdade se originam na sua mente. Primeiro pensamos a respeito, imaginamos e alimentamos pensamentos até que estejam fortes o suficiente para se tornarem ações. Pensamentos equivocados nos tiram a paz, a fome, o sono, nos tiram a alegria de pertencermos a um Deus que se importa com a nossa mente, se importa tanto que nos deixou um “guia de sobrevivência para dias turbulentos”. Esse guia, nada mais é do que a revelação de alguns pensamentos do Pai. Sua mente não te dá descanso? Pare tudo, jogue a âncora no mar, entre na presença do Pai, aprenda aquilo que o Senhor quer que você pense. Renove sua mente. Escravize seus pensamentos, não seja escravizado por eles.

Lembre-se, onde abundou o pecado, ainda que em pensamento, superabundou a graça. Graça que nos carrega até a sala do trono, graça que nos mostra que existe uma saída, que existe uma forma de acalmar nossa mente, de limpá-la e santificá-la. Se os seus pensamentos não te deixam em paz, amarre-os e junte-se a nós nessa guerra.

JG