Vivemos em um mundo que jaz no maligno, um mundo que vomita suas “pseudoverdades” como ideologias absolutas. Um mundo que prega que você é o ser mais importante do universo, que suas escolhas não são erradas desde que visem te fazer feliz. E qualquer um que fale o oposto está errado. Um mundo que acaricia e infla o ego dos seres humanos. Um mundo que propaga o “mimimi”.

Aos poucos, esse pensamento de que “eu não posso ser magoado” tem entrado na igreja, cada vez mais nos deparamos com crentes melindrosos, que estão a ponto de quebrar se não ouvirem o que querem para satisfazer seus corações. Há um tempo atrás eu estava com meu coração partido, tentando não perder a cruz de foco, não ser levada pela tempestade. Certo dia após voltar do trabalho não havia ninguém em casa e a solidão e o silêncio encheram meu coração, em meio as lágrimas resolvi que precisava sair de casa e ter um tempo com Deus. Peguei meus fones de ouvido, água e bíblia e simplesmente sai. Andei por um bom tempo até achar um lugar calmo para fazer minha leitura. Meu coração gritava desesperadamente por algo, eu queria ouvir palavras que me consolassem, queria ouvir um “eu também te amo… eu sinto sua falta… você tinha razão”. Ao invés de pegar meu celular e ligar para alguém que pudesse me dizer tudo isso, fui contra toda minha carne e escolhi abrir minha bíblia.

O evangelho de João é sem dúvida o meu preferido (isso é, se eu puder ter um evangelho preferido), nele Jesus é apresentado especificamente como Deus. O capítulo seis de João é muito interessante e desafiador, a narrativa começa com a primeira multiplicação de pães. Jesus estava pregando para uma multidão faminta espiritual e fisicamente e então Ele saciou ambas as fomes. O povo ficou tão maravilhado que se Jesus não tivesse se retirado o teriam obrigado a ser o rei deles.

É interessante notar que ao longo do capítulo o povo perguntava uma coisa e Jesus respondia outra. Jesus respondia o que realmente precisava ser dito. No verso 25 encontramos a primeira pergunta “Rabi, quando o senhor chegou aqui?”, ao que Jesus responde “A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos” (v.26). O povo segue questionando, “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?” e novamente Jesus responde outra coisa “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou” (v.28-29).

Jesus começa a fazer diversas declarações valiosas a respeito de seu ministério, de quem Ele é e dos planos do Pai, mas como dito anteriormente, não era isso que a multidão queria ouvir, o povo não queria ser confrontado e ter seus corações expostos. Finalmente, muitos dos que seguiam Jesus afirmaram “dura é essa palavra, quem pode suportá-la?” E deixaram de segui-lo. Jesus pergunta para os doze “vocês também não querem ir?” e Pedro responde “Para quem iremos? Só tu tens as palavras de vida eterna“. (v.67-68)

Esse foi o versículo que o Espírito Santo usou para ministrar o desejo do meu coração em ouvir palavras de consolo. Palavras vazias, passageiras e que não tinham poder para curar, restaurar e dar vida eterna. Desde aquele dia o Senhor tem trazido constantemente esse verso ao meu coração. Contudo, dessa vez não para me consolar, mas para me exortar.

O evangelho é fácil de entender, mas duro de se aceitar. O evangelho ressalta para a minha podridão e invalidez de fazer algo bom para me salvar e aponta para a supremacia de Cristo e seu sacrifício. O evangelho me exorta a abandonar o meu “eu”, a abrir mão do meu “direito de ficar chateada”, ele me disciplina quanto ao meu “mimimi”. A exortação de Deus é mais uma prova de seu amor pelos seus filhos, “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem. (Provérbios 3.11-12). Um pai de verdade não fica sentado vendo seu filho errar sem fazer nada, ele intervém, corrige, aponta para o caminho certo. Nem sempre a correção é algo doce de se ouvir, mas é extremamente necessário para continuarmos crescendo em segurança. O livro de Jó no capítulo 5, versículos 17 e 18 diz “Como é feliz o homem a quem Deus corrige; portanto, não despreze a disciplina do Todo-poderoso. Pois ele fere, mas trata do ferido; ele machuca, mas suas mãos também curam”.

Quando olhamos para o evangelho e focamos na cruz percebemos que não temos o direito de ficar chateados. Entenda que a palavra dura também é aquela que te cura. Para onde você está indo se apenas Cristo tem as palavras para disciplinar seu coração e te dar vida eterna?

JG