Sim esse é mais um texto sobre a graça, mas como vimos a graça é um dom de Deus, e algo que vem do Senhor jamais deveria ser enfadonho ou cansativo. E sobre a graça ainda há tanto a ser falado, ser estudo, vivido e compartilhado que realmente é difícil me conter. Caso você não tenha lido os outros artigos clique aqui para ler o primeiro texto e aqui para o segundo. Minha oração é para que essa leitura te leve para mais perto de Deus e que sua vida seja transformada pela graça que nos constrange e renova a cada dia.

A graça transformadora é radical, “violenta”, sem limites e alcança até as mais profundas “camadas” da nossa vida. Talvez você nunca a tenha experimentado nessa intensidade, mas quero encorajá-lo a acreditar que SIM, isso é possível. Na Bíblia encontramos diversas passagens em que a graça superabundou na vida de pessoas fiéis e na vida de pessoas infiéis e isso as transformou completamente. Entre todas essas histórias gostaria de analisar apenas uma.

A graça transformadora & minha condição de pecador

No evangelho de Lucas, capítulo 7 do verso 36 ao 50 temos a narrativa de uma história bem interessante que tem muito a nos ensinar. Lucas começa a história com o convite para jantar feito a Jesus por um fariseu chamado Simão. Entende-se que Simão não chamou Jesus para aprender com seus ensinamentos e sim no intuito de apanhá-lo em alguma falha, testar se ele era mesmo o Messias. Então, ao chegar a casa e reclinar-se à mesa aparece a terceira personagem: “certa mulher daquela cidade” com um frasco de alabastro com perfume. Lucas se refere a ela como pecadora, ao estudar o contexto histórico vemos que “pecadora” era um termo usado para sinalizar que aquela mulher era possivelmente uma prostituta. Ao entrar na casa se coloca aos pés de Jesus e chora até encharcá-los com suas lágrimas, os seca com seus cabelos, beija-lhe os pés e os unge com perfume. Ao olhar para essa situação Simão exclama: Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma “pecadora” (v. 39). Esse texto é riquíssimo em analogias e aplicações, então a encorajo a estudá-lo mais a fundo. Porém ao que nos cabe nesse momento tentarei ser objetiva e sucinta.

O texto nos diz que “ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu” ela foi até o local, isso indica que muito possivelmente a mulher sabia bem quem Jesus era. Provavelmente em outra ocasião havia ouvido aos ensinamentos do Cristo, se arrependido de seu modo de viver e ao saber que Ele estava tão perto não se conteve e se sentiu na “obrigação” de ir ao seu encontro. Suas atitudes revelam um coração emocionado, disposto a amar e grato pelo perdão que somente Jesus é capaz de oferecer. Tais ações mostram que em seu ser ela acreditava no senhorio de Cristo e estava o recebia em sua vida. Jesus após explicar a Simão os motivos que levaram aquela mulher a fazer tudo aquilo (versos 41-47), vira-se para a mulher e diz “seus pecados estão perdoados”. Contudo, teólogos garantem que no grego original a melhor tradução seria “os teus pecados já foram perdoados” mostrando que a remissão daquela mulher havia ocorrido em outro momento e que suas atitudes eram uma forma de gratidão, amor e adoração. E por fim Jesus declara “sua a salvou, vá em paz“.

Uma mulher com uma péssima fama na cidade, conhecida por conta de seus pecados, se dirigiu sem vergonha alguma aos pés de Cristo sem se importar com o que diriam dela. E o corpo que antes era usado para desonrar a Deus é o mesmo corpo que agora prostrado aos pés de Jesus o adora. O que a levou a fazer isso? A graça transformadora. A graça transforma vidas, modifica atitudes, concede forças para superar momentos difíceis e traz a paz que excede todo entendimento. Cristo deixa claro que a salvação dessa mulher veio através da fé e não de suas atitudes para com Ele (isso foi consequência racional da fé e do perdão). Ser salvo é graça de Deus e ser transformada pela graça é fruto de ser redimido pelo perdão de Cristo. A mulher que entrou naquela casa como “uma pecadora” saiu de lá na paz concedida pelo próprio Deus.

Eu não sei em que situação você se encontra. Não sei quais são os pecados que te “definem” e escravizam. Contudo, eu sei que o mesmo Deus que concedeu perdão e mudança de vida para essa mulher, é o Deus que também mudou a minha condição de pecadora, o único Deus, o Deus vivo, santo e poderoso, e Ele também pode te libertar do pecado, da condenação, da culpa. Deus não está ausente a sua condição: “Os olhos do Senhor voltam-se para os justos e os seus ouvidos estão atentos ao seu grito de socorro […] o Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido” (Salmo 34.15 e 18). Ele está pronto para conceder sua graça radical e “violentamente”, uma graça sem limites. Sua graça transformadora!

“Deve ser a Graça que faz com que a alma morta viva – e é igualmente a Graça que mantém a alma viva, vivendo; e deve ser a Graça que lava a alma escurecida pelo pecado, e a torna branca como a neve, e deve ser igualmente a Graça, que guarda essa alma de voltar à sua antiga imundícia. Da fundação ao pináculo do templo da nossa salvação é tudo por Graça!” – C. H. Spurgeon

JG