Não gostaria de começar esse texto te decepcionando, mas temo que estou prestes a fazê-lo. Se alguma vez você pensou que ao se tornar cristão seus problemas, conflitos e angustias acabariam permita-me dizer que você está enganado. Não acredita em mim? O próprio Cristo disse “Aqui no mundo vocês terão aflições, mas animem-se, pois eu venci o mundo” (João 16.33 NVT). Momentos difíceis chegarão, momentos em que você terá seu coração exposto. Momentos de aflição na verdade são mais comuns do que imaginamos.

Ao passar por um desses momentos um grande amigo me indicou uma leitura: Salmo 25. O salmo é uma oração, um clamor pelas misericórdias de Deus enquanto o salmista passa por aflições. Os versos de 16 a 19 mostram qual é o real desespero de Davi “… estou sozinho e aflito. Meus problemas só aumentam, livra-me de toda minha angústia! … perdoa todos os meus pecados…”. Diante deste conflito Davi faz a única coisa que realmente pode ajudá-lo “Ó SENHOR, a ti entrego minha vida” (v.1), e é o próprio Deus que capacita e dá força para entregar a vida a Ele em momentos difíceis. Os problemas estão em uma posição horizontal, entregar tudo ao Senhor é uma atitude vertical, e quando isso é feito toda a perspectiva muda. Ao ler esse salmo é possível analisar três atitudes que nos levam a amadurecer. Antes, é preciso entender que maturidade é um processo, não é algo que acontece de uma hora para outra. É uma caminhada, séries de decisões a serem feitas à medida que se conhece mais a Deus.

A primeira atitude que se pode notar é a humildade, reconhecer que por força própria é impossível resolver as aflições, é entender que eu não sou Deus logo tão pouco sei o que é o melhor para mim. Ao me deparar com essa verdade meu coração se torna disposto a ser ensinado e meus olhos se voltam ao Senhor que é bom, justo, perdoa os pecados, instrui, ensina e guia nos caminhos e passos dEle. Davi certamente sabia que o caminho do Pai era melhor do que o dele afinal ele escreve 11 vezes para que o Senhor ensine, guie, mostre, conduza no caminho.  “Meus pensamentos são muito diferentes dos seus, e meus caminhos vão muito além de seus caminhos” assim diz o Senhor em Isaías capítulo 55, versículo 8.

A segunda atitude se encontra nos versos de 12 a 14, o temor a Deus, ou seja uma reverência amorosa diretamente ligada a submissão aos mandamentos e senhorio da palavra e Deus. Provérbios garante que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Provérbios 1.7). Ele ensina o que fazer aos que o temem mesmo em situações de desespero. Saber que o Deus é amigo dos que o temem (v. 13) me traz confiança e paz mesmo que o mundo esteja caindo ao meu redor.

Por fim, a terceira atitude é depositar toda a expectativa no próprio Deus e no seu agir: “Que a integridade e a retidão me guardem, pois em ti ponho minha esperança” (v. 21).  Eu não posso dizer que espero no Senhor sem fazer o que Ele me diz para fazer, Jesus diz no evangelho de Lucas capítulo 6, versículos 46 e 47 “Por que vocês me chamam ‘Senhor! Senhor!’, se não fazem o que eu digo? Eu lhes mostrarei como é aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica”.

Colocar a esperança em Deus também é ter ciência de que mesmo que a tempestade não se acalme Ele continua sendo bom, Ele continua sendo Deus e somente ao lado dele há segurança. Se minhas expectativas estão no Deus que criou todas as coisas, nada do que aconteça ao meu redor deve ser motivo para me fazer desistir. E então eu terei dado um passo a mais na jornada da maturidade, e estarei um passo mais perto de ter o caráter que Deus me criou para ter.

Talvez os ventos da aflição insistam em te atormentar, mas com os olhos fixos em Deus é possível crescer em meio ao caos.

JG